DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO
16 de Outubro de 2023
A 16 de outubro celebra-se o Dia Mundial da Alimentação, iniciativa este ano subordinada ao tema "Água é vida, água é alimento. Não deixar ninguém para trás". Esta é certamente uma oportunidade para (re)pensarmos a forma como gerimos um recurso finito, em degradação e sobre explorado por setores como a agricultura e a indústria. À escala individual, também há um caminho a empreender na forma como fazemos as nossas escolhas alimentares. O que levamos à mesa pode influenciar positivamente uma gestão mais sustentável da preciosa água.
É sobre o valor da água e os seus caminhos futuros que hoje, sob a égide do Dia Mundial da Alimentação, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) convoca-nos a esta reflexão.
Sobre a água, é inquestionável o seu carácter essencial à vida na Terra. Face à infinitude de mares e oceanos poderíamos avaliar que a água é um bem inesgotável, mas hoje infelizmente, sabemos que não é. No azul oceânico do nosso planeta apenas 2,5% à água é doce (99% da qual é subterrânea), adequada para beber, para a agricultura e para a maioria dos usos industriais. Um bem escasso, com uma distribuição geográfica pouco uniforme e sob o qual pendem ameaças crescentes.
O Fórum Económico Mundial enumera as crises hídricas como um dos cinco principais riscos para a economia global em termos de impacto potencial.
Nas últimas duas décadas, cada um de nós perdeu um quinto da água doce disponível. Para algumas pessoas, regiões e países a realidade é muito pior, chegando perto de um terço. Isto de acordo com o documento The State of the World's Land and Water Resources for Food and Agriculture - Systems at breaking point, da responsabilidade da FAO.A agricultura é responsável por 72% da captação global de água doce, sendo que esta procura deverá aumentar 35% até 2050, recorda-nos a FAO, para acrescentar: "o rápido crescimento populacional, a urbanização, o desenvolvimento económico e as alterações climáticas estão a colocar os recursos hídricos do planeta sob uma pressão cada vez maior. Ao mesmo tempo, a disponibilidade e a qualidade da água estão a deteriorar-se rapidamente devido a décadas de má utilização e gestão, extração excessiva de águas subterrâneas, poluição e alterações climáticas. Corremos o risco de esticar este recurso precioso a um ponto sem retorno".
Contas feitas, atualmente 2,4 mil milhões de pessoas vivem em países com escassez de água. A concorrência por este recurso inestimável está a aumentar à medida que a escassez de água se torna uma causa cada vez maior de conflitos”, sublinha a FAO.
Ao percebermos que "a água está na base da nossa alimentação", como nos recorda a FAO no documento que acompanha o lançamento do Dia Mundial da Alimentação, é-nos fácil, enquanto consumidores, entender que a forma como comemos afeta os consumos de água.
"Podemos fazer a diferença escolhendo alimentos locais, sazonais e frescos, desperdiçando-os menos até mesmo reduzindo o desperdício de alimentos e encontrando formas seguras de reutilizá-los, evitando ao mesmo tempo a poluição da água”, sublinha a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura no seu site, para acrescentar: “dado que se espera que a população mundial atinja mais de 9 mil milhões até 2050, nunca foi tão necessário alimentar a crescente população mundial de forma saudável, equitativa e sustentável. Para enfrentar os atuais desafios hídricos, temos de garantir a utilização eficaz da água nos sistemas agroalimentares, encontrar formas seguras de reutilizar as águas residuais, salvaguardar as nossas águas e os nossos sistemas alimentares aquáticos e fornecer alimentos nutritivos a preços acessíveis para todos face às alterações climáticas e à crescente procura".
A restauração de forma geral, quer pública, privada ou concessionada é um consumidor muito relevante de água.
Então como devem minimizar os impactos do consumo água?
Antes demais devem ser tomadas medidas na gestão da água, através do controlo de consumos nas higienizações das instalações, equipamentos e utensílios, dos produtos alimentares e dos próprios colaboradores.
Depois, todos os colaboradores devem estar sensibilizados para o cumprimento das boas práticas de utilização de água focando sempre a sua prioridade de utilização e necessidade. Devem ser utilizados recipientes adequados à quantidade de alimentos a confecionar e as torneiras apenas devem ser abertas durante o tempo estritamente necessário à execução da tarefa, se esta for interrompida, fechar a torneira e abrir unicamente quando se retoma a tarefa.
É importante não só fazer o suficiente como fazer acontecer. É o dever de todos nós preservarmos este bem comum e cada vez mais finito…a água.